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DRAUZIO VARELLA
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Folha de São Paulo -
08 de dezembro de 2007 - Caderno Ilustrada |
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Hipertensão é uma doença silenciosa. Só
provoca sintomas em fases muito avançadas
Depois de certa idade todo mundo sofre de pressão
alta. Todo mundo é exagero, mas são muitos. Metade dos brasileiros
com mais de 50 anos é hipertensa; proporção que atinge 60% depois
dos 60 anos, e que não pára de aumentar daí em diante.
Sua ocorrência se tornou tão banal que é comum ouvir: "Minha mãe
está ótima, tem só uns probleminhas de pressão".
Probleminhas? Hipertensão é doença traiçoeira, sobrecarrega e
hipertrofia a musculatura do coração -especialmente a do ventrículo
esquerdo, encarregada de impulsionar o sangue através da aorta, cujo
segmento superior é empurrado para cima e para trás. Nas fases
finais, a hipertrofia pode ser tão exagerada que os médicos passam a
chamá-lo de "coração de boi".
Com o passar dos anos, as camadas musculares que contraem e dilatam
as pequenas e grandes artérias do organismo se tornam endurecidas:
surge a arterioscleriose, que aumenta a probabilidade de doenças
cardiovasculares. Cerca de 60% dos ataques cardíacos ocorrem em
hipertensos; e 80% dos derrames cerebrais, também.
Além desses eventos dramáticos, a hipertensão mal controlada pode
lesar os rins, a retina e as artérias periféricas e levar à
insuficiência renal, à perda da visão e a amputações de membros,
respectivamente.
Por isso, se você ou algum familiar for hipertenso, preste atenção:
1) O coração é uma bomba
incansável: em suas câmaras passam 5 a 6 litros de sangue por
minuto. Isso mesmo, por minuto.
2) A pressão arterial é
conseqüência da "força" que o sangue faz contra a superfície das
paredes internas das artérias para obrigá-lo a circular.
3) A pressão não é constante no
decorrer do dia: em repouso ou dormindo, com os vasos relaxados,
tende a cair; e a subir quando fazemos esforço físico, estamos
nervosos ou sob estresse. 4) Ao medir a pressão você deve
estar sentado, com o aparelho ajustado em seu braço à altura do
coração. Não fale. Descanse por 5 a 10 minutos em ambiente calmo
antes de efetuar a medida. Você não deve ter realizado esforço nos
últimos 60 minutos. Não fume nem ingira alimentos ou bebidas
alcoólicas nos 30 minutos que antecederem a medida. Esvazie a bexiga
e não cruze as pernas. Se a pressão estiver alta, repita a medida
dois ou três minutos depois. 5) É preciso muita cautela antes
de rotular uma pessoa como hipertensa.
6) Você terá níveis ideais de
pressão quando a máxima estiver abaixo de 12, e a mínima, abaixo de
8. Estará numa situação limítrofe quando a máxima estiver entre 13,0
e 13,9 ou a mínima entre 8,5 e 9. Será considerado hipertenso quando
a máxima atingir 14,0 ou mais ou a mínima atingir ou ultrapassar
9,0.
7) Aumentos de peso e de pressão
arterial andam de mãos dadas. As diminuições, também: nos
hipertensos, para cada 1 kg perdido a pressão cai em média 0,13 a
0,16 unidades (cm).
8) Muitos acham que aumento da
pressão provoca dor de cabeça, tontura, peso na nuca, mas, como nada
sentem, passam anos sem medi-la. Está errado, a doença é silenciosa.
Só provoca sintomas em fases muito avançadas ou quando ocorre
aumento abrupto.
9) Em 90 a 95% dos casos não se
consegue descobrir a causa da hipertensão.
10) A doença é mais comum em
negros e seus descendentes.
11) O objetivo-alvo do
tratamento é manter rigorosamente níveis que não ultrapassem 12 x 8.
12) A melhor forma de controlar
a pressão é por meio de mudanças no estilo de vida: manter atividade
física diária, evitar a obesidade, o consumo exagerado de bebidas
alcoólicas, alimentos gordurosos, doces, sal, reduzir o estresse e,
especialmente, deixar de fumar.
13)
A prevenção das complicações através do
uso de medicamentos anti-hipertensivos foi um dos maiores sucessos
da medicina contemporânea.
14) Se puder, escolha um médico
atualizado com as inúmeras opções terapêuticas disponíveis.
15) Assuma o controle de sua
condição: compre um aparelho para medir a pressão em horários
variados.
16) Tome os comprimidos
religiosamente nos horários prescritos. Em caso de efeitos
colaterais, entre em contato com seu médico, não faça ajuste de
doses nem interrompa o tratamento por conta própria.
17) Descontados os casos de
hipertensão mais leve, é provável que você tenha de tomar remédio
pelo resto da vida. Não fique revoltado, dê graças a Deus por eles
existirem.
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