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AMARILIS LAGE
FLÁVIA MANTOVANI
TATIANA DINIZ |
Folha de São Paulo 19 de abril de 2007
Caderno: Equilíbrio |
Da caminhada no parque à maratona
completa (42,195 km), aprenda a praticar corrida com mais segurança
e benefícios |
Faça um alongamento muscular antes e
depois da corrida: antes, ele prepara as articulações para o
exercício; após a atividade, ele prepara o corpo para o próximo
treinamento
Diz o ditado que a mais longa caminhada sempre começa com um
primeiro passo. O dito popular é especialmente adequado para quem
sonha em começar a correr e, quem sabe, até participar de uma
maratona.
Se esse é o seu caso, saiba que não está sozinho: basta prestar
atenção nos parques e nas ruas da cidade e ver a quantidade de
pessoas que já aderiram ao esporte. O número de competições,
profissionais e amadoras, cresce proporcionalmente a esse interesse.
Isso é ótimo, pois ajuda a divulgar uma prática saudável, que
aumenta a resistência cardiovascular, regula os índices glicêmicos e
promove o contato com o ar livre, entre outros benefícios.
No entanto, muita avidez pode levar algumas pessoas a correr sem
buscar orientação adequada e, muitas vezes, desrespeitando os
limites do próprio corpo.
Para ajudá-lo a tirar melhor proveito dessa atividade física,
reunimos 42 dicas, fornecidas por alguns dos principais
especialistas em corrida do país. São sugestões práticas, úteis para
quem deseja começar a correr, para quem já corre e quer participar
de competições e mesmo para quem já é experiente e sabe quase tudo
sobre o assunto -afinal, não são poucos os que, em busca de uma
melhor performance, esquecem dicas tão básicas quanto "descanse". |
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PARA COMEÇAR |
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1 |
A primeira coisa a fazer é a
avaliação médica. Para quem tem menos de 30 anos e
pretende praticar numa intensidade moderada (100
metros/minuto), basta fazer uma avaliação clínica e um
eletrocardiograma. Quem tem de 30 a 60 anos e quer
correr por lazer precisa fazer também um hemograma, uma
avaliação das funções renal e hepática e um exame
ergométrico ou ergoespirométrico (que mede o consumo de
oxigênio durante o esforço físico). Se a intenção é
competir, é bom também fazer um ecocardiograma. Quem tem
mais de 60 anos deve fazer a bateria completa dos
exames. Isso ajuda a identificar problemas que exijam
uma adaptação nos treinos |
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2 |
A avaliação podopostural, feita nas
clínicas de ortopedia, também ajuda os iniciantes a
correr de modo seguro. Ela analisa vícios de postura,
torções do tronco, estrutura esquelética e marcha. Em
casos de problema acentuado de coluna ou encurtamento de
uma das pernas, o exercício pode ser mais danoso que
benéfico -e é o ortopedista quem pode avaliar isso |
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3 |
A caminhada é uma ótima preparação
para os iniciantes. Comece andando cerca de 40 minutos
três dias por semana. À medida que for evoluindo,
aumente a intensidade da caminhada, movimentando pernas
e braços vigorosamente. Aproximadamente um mês depois,
alterne com alguns minutos de trote, primeiro apenas um
dia semanalmente e depois nos outros dias de exercício.
Quando tiver evoluído, alterne a caminhada com a
corrida, sempre aos poucos. Quem é sedentário ou está
com sobrepeso deve priorizar a caminhada nas primeiras
quatro ou seis semanas. Correr nessas condições pode
sobrecarregar os músculos e as articulações |
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Primeiros Passos |
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4 |
No início, busque correr em terrenos
mais macios. Esteira, grama, terra batida, pedrisco e
asfalto -essa é a seqüência de terrenos para corrida por
grau de dificuldade. Na grama, tenha cuidado com buracos
e raízes, que podem levar a quedas. Deixe para correr no
asfalto, o terreno que causa mais impacto nas
articulações, depois de quatro a seis semanas de
prática. Quem corre na rua não deve fazê-lo próximo ao
meio-fio. Essa região é inclinada para facilitar o
escoamento da água das chuvas, o que leva a forçar mais
um joelho do que o outro |
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5 |
Quando estiver acostumado a correr em
terrenos planos, você poderá inserir subidas e descidas
no treinamento. Nessas inclinações, muda o centro de
gravidade do corpo. Na descida, a contração excêntrica
(contração em alongamento) gera uma dor tardia. Subindo
ou descendo, sempre inicie o movimento com o calcanhar
antes de apoiar a frente do pé |
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6 |
Associe a corrida a um programa de
condicionamento físico, com exercícios que exercitem
outros grupos musculares. Fortalecer os músculos
abdominais é muito importante, pois eles são os
principais responsáveis pela sustentação da coluna |
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Com que roupa |
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7 |
Correr é sinônimo de usar vestimentas
leves. Os shorts devem ter uma abertura lateral para não
dificultar o movimento das pernas. Mulheres devem
substituir o sutiã por tops que dêem melhor sustentação
à musculatura do seio, desenhados especialmente para a
prática de esportes. Procure também meias especiais para
a corrida; elas absorvem melhor o suor e provocam menos
fricção nos pés |
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8 |
Os tênis, além de ter amortecimento,
devem ser adequados ao tipo de pisada do corredor:
pronada (com rotação para dentro na movimentação do
calcanhar para a ponta), supinada (rotação para fora) ou
neutra (rotação para a frente). Ao escolher o calçado,
procure um número que permita a distância de um dedo
entre a ponta do dedão e a ponta do calçado |
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9 |
Não use o mesmo tênis todos os dias,
pois isso desgasta o calçado. Tente revezar. Além disso,
preste atenção à durabilidade do tênis -especialmente de
seus sistemas de amortecimento |
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Antes de Correr |
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Passe vaselina em áreas que recebem
muito atrito, como as coxas, as axilas e, nos homens, os
mamilos, que costumam ficar machucados devido à fricção
com a camiseta. Se a vaselina não for suficiente para
evitar a assadura, use bermudas térmicas |
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Faça um alongamento muscular antes e
depois da corrida, durante cerca de dez minutos. Antes,
ele prepara as articulações para o exercício. Após a
atividade, ele prepara o corpo para o próximo
treinamento. Quando o alongamento não é feito, os
músculos ficam encurtados. Lembre-se de que a região
lombar também precisa ser alongada. Freqüentemente
esquecida pelos corredores, essa parte do corpo é a mais
submetida a impactos durante as subidas e descidas |
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Durante a Corrida |
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12 |
Preste atenção à postura. Corredores
tendem a ter uma leve inclinação para a frente na hora
de correr. Maratonistas, por exemplo, inclinam cerca de
5º. O ideal, porém, é manter a postura o mais reta
possível, pois a inclinação sobrecarrega outras partes
do corpo. Os braços são fundamentais para o equilíbrio e
não devem nem ficar largados nem espremidos contra o
corpo |
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13 |
Não se preocupe em seguir uma técnica
de respiração específica. Tentar inspirar e expirar de
forma ritmada, por exemplo, é um erro, dizem os
especialistas. Seus pulmões vão exigir naturalmente a
quantidade de oxigênio necessária. É preciso saber ouvir
o próprio corpo. Ficar ofegante significa que você
ultrapassou o seu limite |
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14 |
Correr distâncias maiores com uma
velocidade não muito rápida diminui a chance de ter
hipoglicemia e favorece a queima de gordura |
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15 |
É natural que os primeiros dois
quilômetros exijam mais força do corredor. Depois, o
corpo entra na zona de equilíbrio da freqüência
cardíaca. Essa dificuldade inicial vale tanto para
iniciantes como para maratonistas |
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Depois da Atividade |
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16 |
Aquecer o corpo é importante, mas
desaquecê-lo também é. Nunca passe da corrida para o
repouso imediatamente. Alguns minutos de caminhada
ajudam a baixar a temperatura do corpo |
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17 |
É natural que, durante o exercício,
ocorra uma vasodilatação que leva ao inchaço dos membros
inferiores -devido à ação da gravidade, há um acúmulo de
sangue no local. O inchaço some naturalmente e não
representa nenhum problema. Pessoas que têm varizes,
porém, podem ter seu quadro piorado devido à prática da
corrida |
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18 |
Se surgir uma bolha no pé, fure para
retirar o líquido, mas não remova a pele. A "tampa" que
ela forma funciona como um emplastro natural. Proteja
com um curativo e não use pomadas |
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19 |
Para identificar se a dor após a
realização da atividade pode indicar um problema sério,
fique em repouso. Se a dor sumir após alguns dias, ela
provavelmente estava relacionada ao excesso de
exercício. Se não passar mesmo assim, procure um médico |
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20 |
É nos corredores mais avançados que
as lesões costumam aparecer. As que ocorrem na tíbia e
no fêmur são as mais freqüentes. São, geralmente,
causadas pelo excesso de treino. Se sentir dor, não
pense que correr com joelheira ou tornozeleira vá
resolver o problema. Na maioria das vezes, isso apenas
comprime o músculo, atrapalhando a recuperação |
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21 |
O joelho é uma das áreas mais
sensíveis para corredores. Existe até a "doença do
corredor", em que atritos numa membrana levam a dores na
lateral externa do joelho. O problema atinge até 30%
desses atletas e a dor geralmente surge por volta do 3º
ou 4º quilômetro de corrida. O problema costuma ser
resolvido com fisioterapia e repouso. A cirurgia é uma
exceção |
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Hidratação |
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22 |
Não espere sentir sede para beber
água -quando a sede chega, é porque você já está
desidratado. Recomenda-se beber água a cada três
quilômetros. .A taxa de perda de líquidos por meio do
suor costuma ser de dois a três litros por hora, mas
pode variar de acordo com características individuais,
condições climáticas etc. |
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23 |
O estômago aceita de 200 ml a 300 ml
de líquido a cada 15 minutos. Tente beber essa
quantidade -se você beber muito pouco, de 50 ml em 50 ml,
por exemplo, o processo de esvaziamento do estômago se
tornará mais lento, dificultando a hidratação. Porém, a
ingestão de líquido não deve causar desconforto gástrico
ou aumentar a vontade de urinar durante a prova |
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24 |
Para quem corre até uma hora e meia,
a água é suficiente para fazer a reidratação.A
água-de-coco também é bastante recomendada pelos
nutricionistas, por ser natural. Em percursos que durem
mais do que uma hora e meia, bebidas industrializadas,
como os isotônicos, podem ser vantajosas, por conterem
sais minerais em maiores taxas de concentração,
especialmente o sódio, o mineral que mais se perde
durante o exercício. As bebidas isotônicas devem ter
menos de 8% de carboidrato -o estômago tem mais
dificuldade de assimilar níveis superiores a esse |
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Alimentação |
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25 |
Atletas de nível avançado devem
ingerir mais alimentos. Geralmente, calcula-se a
necessidade de 30 a 50 calorias por quilo de peso ao
dia. Quanto mais intenso for o treino, mais o consumo
deve se aproximar das 50 kcal/kg de peso. Procure um
nutricionista para reorganizar a sua dieta |
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26 |
O mercado está cheio de suplementos
nutricionais indicados para corredores, como a
maltodrextrina em pó -um carboidrato que repõe
rapidamente a energia gasta no exercício. São bons para
quem já corre há algum tempo, mas não para quem está
começando. Para os iniciantes (principalmente os que
precisam perder peso), o primeiro passo é apostar num
programa de reeducação alimentar -comer de três em três
horas ajuda bastante nesse período |
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27 |
Em competições longas, tomar um sachê
de carboidrato em gel a cada meia hora ajuda a manter a
glicemia constante. Beba um copo de líquido para diluir.
Comece a ingerir carboidratos em gel apenas após o
início da corrida. Sua utilização antes da prova pode
levar à hipoglicemia reativa, acarretando a queda da
performance |
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28 |
Uma dieta estratégica pode aumentar o
conteúdo de glicogênio nos músculos, importante para
provas mais extenuantes. Para fazer isso, uma semana
antes da prova, aumente de 20% a 30% a ingestão de
proteínas na dieta e diminua de 20% a 30% a quantidade
de carboidratos -seu organismo ficará "ávido" por esse
nutriente. Três dias antes da competição, normalize a
ingestão de proteínas e aumente em 60% o consumo de
carboidratos (que ficará, então, 30% maior do que na
dieta habitual). Na véspera da prova, reduza o consumo
de salada, que ocupa volume no estômago sem acrescentar
muita energia. Se a competição for curta, basta
aumentar, no dia anterior, o consumo de carboidratos |
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Primeiras Provas |
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29 |
É preciso saber lidar com
expectativas exageradas. Nas primeiras provas, não se
preocupe com a performance e com o tempo. Quem busca
isso acaba se frustrando e perdendo a satisfação em
correr. Respeite o seu ritmo e tente apenas terminar a
prova |
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30 |
Estabelecer metas realistas a serem
cumpridas não significa ter objetivos fáceis demais. Se
os resultados são atingidos muito rapidamente, ocorre a
chamada depressão pós-objetivo: perde-se o interesse nos
treinos e a tendência é a pessoa parar ou retroceder.
Crie um plano de etapas nas quais as exigências de
desempenho aumentam progressivamente |
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31 |
Para saber se você já consegue
participar de uma prova de cinco quilômetros, tente
correr dez minutos bem (dentro da freqüência cardíaca
adequada e sem ficar ofegante -a velocidade e a
distância não são os principais fatores de avaliação).
Se conseguir, já dá para treinar para a prova. Quem quer
correr dez quilômetros deve ser capaz de correr cinco
quilômetros bem |
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32 |
Para correr uma prova de dez
quilômetros, uma boa estratégia é manter os primeiros
cinco quilômetros dentro de um ritmo mais confortável e
fazer os últimos cinco com mais força. Faça um esforço
progressivo ao longo da prova -quem sai muito forte na
largada dificilmente consegue manter o ritmo até o final
da competição |
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33 |
Para iniciantes, os tiros (corridas
para treino de velocidade, em que se busca uma
freqüência cardíaca mais alta) devem ser de 200 a 300
metros. Para quem está num nível intermediário, de mil
metros |
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Competição para valer |
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34 |
Antes de participar de uma prova, é
necessário um período de "destreino". Ou seja, um
intervalo em que o corpo mais repousa do que se esforça.
Diminuir o ritmo cinco dias antes de uma prova é o
ideal, de acordo com os especialistas. Quem aumenta a
intensidade da corrida nos dias que antecedem uma
maratona acaba fadigando o corpo e obtendo resultado
aquém do possível |
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35 |
Três a quatro meses antes de uma
maratona, é comum que os atletas façam "longos"
-treinamentos de 28 a 34 quilômetros, determinantes para
um maratonista. Cada "longo" deve ser separado do outro
por duas ou três semanas e o último deve ser realizado
no mínimo três semanas antes da maratona. Os "longos"
ajudam o atleta a ter domínio do ritmo e mais
autoconfiança |
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36 |
Para quem viaja para uma maratona no
exterior, a recomendação é chegar ao local três dias
antes da prova e evitar alimentos diferentes daqueles
aos quais está acostumado. Fazer um reconhecimento
prévio do local e do clima onde será a corrida é um
detalhe que pode afetar o resultado final |
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37 |
Dormir bem melhora a performance. O
sono repõe energias, ajuda na recuperação muscular e
viabiliza a liberação de hormônios como o GH,
responsável por funções vitais do organismo. O ideal é
dormir bem sempre, mas, como é comum que a ansiedade
atrapalhe a qualidade do sono na noite anterior a uma
competição, tente dormir especialmente bem nos dois ou
três dias antes da prova |
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38 |
Uma hora após uma maratona, a
capacidade de assimilação de carboidrato aumenta
significativamente. Esse é um bom momento para consumir
o nutriente. Além disso, é importante manter a reposição
de líquidos ao longo das seis horas seguintes ao fim da
prova |
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39 |
Nos dez dias seguintes à prova, é
natural que o corredor ainda se sinta cheio de pique e
"pronto para outra". Isso porque os resultados do
esforço só serão percebidos após esse período. Assim, é
importante que o atleta, apesar de toda a disposição que
possa ter, faça um treino leve durante as três semanas
seguintes, de manutenção, para não se machucar |
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No Limite |
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40 |
Cuidado com o "overtraining" (excesso
de treinamento), cujo risco é mais alto entre corredores
que treinam de cinco a seis vezes por semana sem o
descanso adequado. Um dos primeiros sintomas do "overtraining"
é a queda na performance. Geralmente, o atleta responde
a isso com um aumento na carga de treino, o que piora a
situação. Outros sintomas são alterações no sono,
resfriados e amidalites constantes e freqüência cardíaca
elevada em momentos inusitados |
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41 |
Uma manifestação mais leve do
treinamento excessivo é o chamado "overrhythm". Uma das
formas de diferenciá-lo do "overtraining" é que um
descanso de dois ou três dias é suficiente para promover
uma melhora rápida do quadro. Além disso, enquanto o "overtraining"
pode levar a problemas cardiovasculares, no "overrhythm"
os problemas se restringem à parte ortopédica |
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42 |
Mulheres com baixo percentual de
gordura corporal (menos de 18%) têm uma queda na
produção de estrógeno, que pode levar a alterações
importantes no ciclo menstrual. Nesses casos, a atenção
para evitar o "overtraining" deve ser redobrada: a
alteração hormonal aumenta as chances de fraturas por
estresse, além de poder levar a problemas como a
osteoporose |
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FONTES: ANDRÉA RAVAY, nutricionista do
Kyron Spa, em São Paulo; ARI ZEKCER, médico do esporte e cirurgião
do joelho pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e
coordenador da ortopedia do Hospital São Luiz, em São Paulo; CLAUDIO
MONTEIRO DOS SANTOS, professor de educação física, responsável pelo
programa de corrida da ACM; ELIANA REINERT, técnica de corrida do
Clube Pinheiros; GUILHERME MOLINA, professor de Educação Física e
pesquisador da UnB (Universidade de Brasília); MÁRCIO TANNURE,
especialista em traumatologia e medicina ortomolecular e médico do
esporte do Clube Regatas Flamengo, no Rio de Janeiro; MARCOS PAULO
REIS, preparador físico, coordenador técnico do Pão de Açúcar Clube
e técnico da Seleção Brasileira de Triatlon nas Olimpíadas de Sidney
e de Atenas; MAURÍCIO DE MORAES, ortopedista do Centro Ortopédico
Paulistano, em São Paulo; MILTON MIZUMOTO, diretor-médico da Corpore
(Corredores Paulistas Reunidos); NABIL GHORAYEB, especialista em
cardiologia e em medicina do esporte, coordenador do departamento de
check-up esportivo do HCor (Hospital do Coração); REINALDO "TUBARÃO"
BASSIT, nutricionista, professor de educação física e pesquisador do
laboratório de fisiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP
(Universidade de São Paulo); RENATO LOTUFO, especialista em medicina
esportiva e fisiologia do esporte e médico do Sport Club Corinthians
Paulista; RENE ABDALA, professor da Unifesp, diretor do centro de
ortopedia e reabilitação do esporte do HCor e coordenador do centro
de traumatologia esportiva da Unifesp; TÂNIA RODRIGUES,
nutricionista especialista em fisiologia do exercício, diretora
técnica da RG Nutri |
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