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Ser Criança |
| Luiz Carlos/ABC |
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Entendemos que ser criança é "ser criança". Não se trata de jogo
semântico, é modo de viver, diz respeito
ao
futuro, os adultos de amanhã. Encontramos no caderno
"Equilíbrio" da Folha de São Paulo de
11/outubro o artigo
de Rosely Sayão (psicóloga e
autora de "Como Educar Meu Filho?") que
transcrevemos abaixo. Uma forma de
contribuir para a reflexão:
"Doze de outubro é
declarado o Dia da Criança. Quem
comemora tal data? O comércio, sem
dúvida. Por mais tímidas que sejam as
vendas de brinquedos, eletrônicos e toda
sorte de produtos para o público
infantil - aliás, é bom considerar que
até adolescentes correm sério risco de
serem presenteados-, um aumento sempre
acontece. É que pais, tios, avós e
amigos da família querem fazer um mimo
para a criança, que, exposta que está
aos veículos de comunicação, sabe cobrar
o que acha devido. Ganhar presentes
nessa data tornou-se fato quase banal.
Obrigação, digamos.
Será que as crianças desfrutam dos
presentes? Provavelmente, sim, por pelo
menos uns 15 minutos. O fato é que, para
crianças que já têm mais do que
precisariam para descobrir o mundo pela
brincadeira, fica difícil entregar-se a
uma única atividade ou escolher um
brinquedo entre tantos. Vale lembrar um
velho ditado popular que diz que quem
tem tudo não tem nada.
Pensando bem, o comércio e a indústria
talvez sejam os únicos segmentos da
sociedade com motivos para comemorar a
data. Afinal, o que pais, profissionais
da educação e adultos implicados com o
futuro teriam a celebrar? O fato de a
identidade infantil estar perdida no
mundo contemporâneo?
Vejamos: as crianças pertencentes a
famílias de classe média não têm tempo
nem espaço para brincar. Desde cedo, são
estimuladas para o aprendizado que
deverá render frutos no futuro. São
intencionalmente dirigidas pelos adultos
em brincadeiras que visam algum
aprendizado. Ora, brincadeira com
objetivo e traçado planejados não é
divertimento, tampouco passatempo. É
lição disfarçada de brincadeira.
O espaço da criança foi eliminado. Em
casa, muitos pais têm a ilusão de que
destinar o quarto do filho para que ele
esparrame seus muitos brinquedos e faça
o que quiser é dar espaço a ele. Mas a
criança fica é confinada em seu quarto.
O espaço público foi roubado dela. Não
dizemos que rua não é lugar para
criança? Por outro lado, consideramos
que shopping o é.
Mas o fator que mais contribui para a
eliminação da identidade infantil é a
maneira como tratamos e educamos as
crianças. Elas são introduzidas no mundo
adulto de modo repentino e prematuro
-pelas informações que recebem, pelo
modo de se vestirem e se portarem, pelos
locais que freqüentam, pela linguagem
que aprendem, pela cobrança que recebem
etc.
Não: as crianças de hoje não são
precoces, como muitos acreditam. Suas
manifestações são só reflexos dos
ensinamentos e estímulos que recebem e
do mundo em que vivem.
Podemos considerar o Dia da Criança,
hoje, um dia vazio de sentido.
Precisamos construir muitos outros dias
para que a criança possa ser criança.
Afinal, são bem poucos os anos em que se
pode ser criança: mais ou menos seis
para a primeira fase da infância e,
depois, outro período equivalente para a
segunda. E temos o restante da vida
-quase 60 anos, em média- para aprender
a ser adultos e a cuidar dos mais novos."
Fotografar nos permitiu estar nos
diversos setores e sentir de perto as
emoções dos pais como também das
crianças. Entre o expectador do lado de
fora e a expectativa da criança do lado
de dentro havia a sintonia da alegria,
do carinho, do afeto e o prazer da participação. A
"Candanguinha" foi um momento
extraordinário da criança ser infantil.
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Por um Dia da Criança infantil! |
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